Ao socar uma parede, você provavelmente sentirá bastante dor, pois a parede devolverá praticamente toda a força que você lançou contra ela à sua mão. Em relação a esse impacto, podemos mencionar o termo “ação e reação”. Em outras palavras, o ponto-chave que será abordado nesse post é: tudo o que fazemos leva a uma consequência, seja um pensamento ou manifestação física.

Durante a vida somos induzidos todo o tempo a seguir vetores de vontades. Temos vontades de comer, de sorrir, de fazer sexo, de dormir, de fumar, de apaixonar-se, de vingar-se, de falar mal da vida alheia, ganhar dinheiro, entre tantas outras coisas. Cada um desses vetores surge naturalmente ou de forma induzida, mas o fato definitivo é que eles estão presentes na vida de cada um de nós.

“(…) o vício é uma compulsão por algo que, mesmo que secretamente, sob algum ponto de vista, sentimos prazer quando o consumamos.”

Cada um, do que chamo de vetor, tem seu objetivo para conosco. Se desejamos transar, por exemplo, desejamos sobretudo, no fim das contas, obter o prazer físico que o sexo proporciona, e, quiçá, reproduzirmos-nos. Alguém que fuma, deseja aliviar suas tensões ou mesmo ter curiosidade pra saber como é fumar. Já quem come, deseja aliviar sua fome. E assim por diante. Tudo isso gira em torno de vontades.

No entanto, quando você começa a desejar algo de forma intermitente e demasiada, muitas vezes contra o desejo de sua consciência, é possível que estejas criando um vício dentro de ti.

Ao buscarmos as raízes da palavra “vício”, encontramos significados que giram em torno das palavras “falha”, “imperfeição” e “ausência”. E o vício, nada mais é, na prática, que um desejo repetitivo, manifestado em forma física ou em pensamento.

Há quem acredite que um vício seja uma falha cerebral. Para outros, se trata de um problema de razão espiritual. Todavia, os vícios mantidos por cada um de nós afetam principalmente a nós próprios, mas também podem afetar negativamente as pessoas em nossa volta, pois um vício é uma desordem, um vetor com uma força capaz de desequilibrar um meio.

Assim como socar uma parede nos machuca a mão, as consequências de um vício machucam nosso corpo e nossa mente, pois sempre há um efeito de rebote quando cada ação decorrente de um vício é executada.

Muitos não acreditam que um determinado vício prejudica a si ou outras pessoas, ou que sequer são viciados, mas a força de rebote se manifestará de toda forma, lenta ou rapidamente. Por exemplo, o hábito repetitivo em cigarro fará mal aos pulmões do fumante ativo e do(s) passivo(s). O hábito em álcool pode causar um problema estomacal no futuro. O hábito repetitivo em promiscuidade pode trazer maiores riscos a saúde ou ao bem estar de uma família. E assim por diante. A lei do retorno sempre se faz presente.

Para os que já ganharam uma consciência de serem portadores de vícios, há um entrave psicológico e físico, no mínimo, interessante: uma voz dentro de si diz que seu corpo deseja parar com tal hábito destrutivo. E ela maquina e explicita todos os pontos lógicos que deveriam fazer você parar com tal vício, mas, na maioria das vezes, o tal vetor destrutivo, que surge de dentro de nós, é forte o suficiente para calar a voz que deseja nos salvar, mesmo que momentaneamente. E quando o ato decorrente do vício, que tanto lutamos para não acontecer, acontece, eis que surge um dos piores rebotes: a sensação de ter perdido uma batalha para si mesmo(a). Apesar de tudo, o vício é uma compulsão por algo que, mesmo que secretamente, sob algum ponto de vista, sentimos prazer quando o consumamos.

De fato, um vício parece uma falha na “máquina humana”. Um problema que muitas vezes recorremos a “mecânicos” para nos ajudar. Como tentativa de livrarmos-nos de um vício, recorremos a psicólogos, psiquiatras, buscamos atividades mais saudáveis, mudamos hábitos e/ou buscamos meios religiosos. Seja qual for a tentativa — considerando que toda ajuda é válida — por incrível que pareça, a solução para tal problema está mais dentro de nós do que fora. Apenas pense comigo neste simples exemplo: imagine-se como um(a) viciado(a) em álcool. Você foi internado(a) várias vezes e já causou diversos transtornos a sua família. Após meses em uma clínica de reabilitação, você nunca mais ingeriu uma gota de álcool sequer. Seu estado mental está ótimo e você está fisicamente bem. No entanto, em uma festa, alguém te oferece “apenas um drinque”. A culpa daquela situação não é exatamente de quem está a oferecer, pois quem oferece sequer pode ter tido conhecimento do problema que você teve no passado. Então caberá a você, tendo plena consciência das consequências que aquela substância já lhe causou, se aceitará o convite ou não. Suas mãos não se esticarão sozinhas para agarrar o copo e muito menos irá até sua boca por vontade própria.

“(…) o vício é uma desordem, um vetor com uma força capaz de desequilibrar um meio.”

A batalha contra os vícios é algo realmente milenar e creio que ninguém esteja totalmente livre deste fardo. No entanto, se faz muito importante, mais do que simplesmente pensar contra o vetor do vício, você mesmo(a) cortar os meios que o trazem à tona, o tanto quanto for possível. É uma batalha constante e usualmente difícil. E, claro, sempre que possível devemos buscar estar com pessoas que nos ajudem a reerguermos-nos e nos manter distantes daquilo que fará nos sentir mal.

E você? Como consegue lidar com seus vícios?

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